Arte: Lídia Ganhito | Estúdio Pavio

Escândalo

A palavra escândalo quer dizer em sua etimologia “pedra de tropeço, rocha que faz cair, obstáculo, ocasião de queda, o que te faz tropeçar”. Vem do grego “skándalon” que se refere a uma pedra na qual um indivíduo tropeça. Como verbo de origem bíblica hebraica, significa “fazer alguém tropeçar, conduzir alguém para pecar, convencer alguém a fazer qualquer coisa que leve ao pecado.”

 

O projeto Escândalo escava e emerge das ruínas, dos destroços do corpo coletivo. Fala sobre o horizonte. Sobre onde o FIM, nosso último espetáculo, nos deixou. Entra em contato com o desejo de criar algo que irrompa abruptamente uma paisagem devastada. Que brote com a força necessária de transformação da nossa trajetória de mais de 11 anos de intimidade e insistência em estar e criar em coletivo.

 

Trata-se de um contexto para criar e mover a partir da palavra “escândalo” enquanto movimento. O que essa palavra engaja e como é percebida na vida coletiva. É uma que disparou uma nova criação coreográfica e que, ao mesmo tempo, deu contorno para um amplo projeto de pesquisa artística em dança na cidade de São Paulo. 

 

Este projeto é um acontecimento para assumir o que nos cabe enquanto coletivo, grupo de dança, mulheres cisgêneras brancas e, desse contato íntimo com as ruínas nesses corpos, fazer emergir uma outra perspectiva. Deixar degenerar. Perder as qualidades originais, transformar-se, apodrecer. Ir ao encontro com aquilo que gera vergonha, asco, negação, necessidade de esquecimento, culpa, prazer. 

 

Inicialmente concebemos o projeto para que este acontecesse presencialmente. Foi um desafio recompô-lo de outro modo, um modo que seja possível preservá-lo enquanto um contexto de investigação, difusão e produção em dança na e com a cidade de São Paulo ao mesmo tempo que se garanta com que as pessoas que estão envolvidas direta ou indiretamente no projeto não se exponham aos riscos suscitados pela atual pandemia em que vivemos.

o quê e com quem

 

Uma das coisas boas de ter um projeto contemplado é criar melhores condições para viabilizar os encontros com pessoas e artistas que temos muita admiração e vontade de estar junto. Escandalizaram com a gente dois coletivos que acompanhamos suas criações há um tempo: o Coletivo Cartográfico e o Coletivo Desvelo que, junto da Luciane Ramos-Silva, compuseram o 2º Ciclo de Falas Públicas, ação que fez parte também do nosso último projeto “Como viver só em bando” realizado em 2017. 

 

Outro ciclo que voltou neste projeto foram as Aulas Flertes que dessa vez foram conduzidas pelos Zumb.boys

 

Nós do VÃO, Isis Andreatta Julia Monteiro Viana, Juliana Casaut Melhado e Patricia Arabe, conduzimos coletivamente o Laboratório de Leitura e Escuta Coletiva e em seguida uma série de laboratórios de criação intitulada Começos, onde individualmente cada uma de nós compartilhou o que está nos instigando neste novo trabalho. 

 

Estiveram conosco no processo criativo a musicista e performer Inês Terra e o artista e pesquisador Renan Marcondes. Recebemos também a artista Michelle Moura, que esteve com a gente provocando e acompanhando o processo criativo e realizou um workshop aberto ao público. 

 

Nos alegra muito ter estado com vocês através desse projeto, compartilhado cada uma das ações públicas e, assim, percorrer de forma ampliada um caminho de investigação de uma nova criação coreográfica do grupo. 

 

Aqui você pode encontrar um pouco mais de cada ação e momento desse projeto. 

Sejam bem vindes!