Arte: Lídia Ganhito | Estúdio Pavio

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apresentações
Escândalo

A palavra escândalo quer dizer em sua etimologia “pedra de tropeço, rocha que faz cair, obstáculo, ocasião de queda, o que te faz tropeçar” e, como verbo de origem bíblica hebraica, significa “fazer alguém tropeçar, conduzir alguém para pecar, convencer alguém a fazer qualquer coisa que leve ao pecado.”

 

O projeto Escândalo escava e emerge das ruínas, dos destroços do corpo coletivo. Fala sobre o horizonte. Sobre onde o FIM, nosso último espetáculo, nos deixou. Entra em contato com o desejo de criar algo que irrompa abruptamente uma paisagem devastada. Que brote com a força necessária de transformação da nossa trajetória de 11 anos de intimidade e insistência em estar e criar em coletivo.

 

Trata-se de um contexto para criar e mover a partir da palavra “escândalo” enquanto movimento. O que essa palavra engaja e como é percebida na vida coletiva. É uma forma de disparar uma nova criação coreográfica e que, ao mesmo tempo, dá contorno para um amplo projeto de pesquisa artística em dança na cidade de São Paulo. 

 

Este projeto é um acontecimento para assumir o que nos cabe enquanto coletivo, grupo de dança, mulheres cisgêneras brancas e, desse contato íntimo com as ruínas nesses corpos, fazer emergir uma outra perspectiva. Deixar degenerar. Perder as qualidades originais, transformar-se, apodrecer. Ir ao encontro com aquilo que gera vergonha, asco, negação, necessidade de esquecimento, culpa, prazer. 

 

Escândalo é um projeto que tem como foco contribuir com a continuidade do trabalho do Grupo VÃO através de ações de formação em dança, de aprofundamento da sua pesquisa e da construção de uma nova peça coreográfica. Com o interesse em contribuir e incentivar propostas de organização coletiva e independente, relacionadas ao fazer artístico, o projeto pretende ampliar não somente o diálogo com artistas colaboradores e parceiros contínuos do VÃO, mas também alargar suas parcerias com outros pesquisadores, artistas e públicos, de modo a expandir o acesso à pesquisa artística de forma abrangente.

 

Inicialmente concebemos o projeto para que este acontecesse presencialmente. Tem sido um desafio recompô-lo de outro modo, um modo que seja possível preservá-lo enquanto um contexto de investigação, difusão e produção em dança na e com a cidade de São Paulo ao mesmo tempo que se garanta com que as pessoas que estão envolvidas direta ou indiretamente no projeto não se exponham aos riscos suscitados pela atual pandemia em que vivemos. 

o quê e com quem

 

Uma das coisas boas de ter um projeto contemplado é criar melhores condições para viabilizar os encontros com pessoas e artistas que temos muita admiração e vontade de estar junto. Escandalizam com a gente dois coletivos que acompanhamos suas criações há um tempo: o Coletivo Cartográfico e o Coletivo Desvelo que, junto da Luciane Ramos Silva, compõem o 2º Ciclo de Falas Públicas, ação que fez parte também do nosso último projeto “Como viver só em bando” realizado em 2017. 

 

Outro ciclo que volta neste projeto são as Aulas Flertes que dessa vez serão conduzidas pelos Zumb.Boys

 

Nós do VÃO, Isis Andreatta, Julia Monteiro Viana, Juliana Casaut Melhado e Patrícia Árabe, conduziremos coletivamente o Laboratório de Leitura e Escuta Coletiva e em seguida acontece uma série de laboratórios de criação intitulada Começos, onde iremos individualmente, compartilhar nossas leituras e o que está nos instigando neste novo trabalho. 

 

Estarão conosco no processo criativo a musicista e performer Inês Terra e o artista e pesquisador Renan Marcondes. Receberemos também as artistas Michelle Moura e Flávia Pinheiro, que passarão um tempo com a gente em residência e realizarão um workshop aberto ao público. 

 

Nos alegra muito poder estar com vocês através desse projeto, compartilhar cada uma das ações públicas e, assim, percorrer de forma ampliada um caminho de investigação de uma nova criação coreográfica do grupo. 

 

Muita coisa vem por ai…

 

Sejam bem vindes!